
Ou você é católico ou é carismático – parte 3
A Renovação Carismática se gaba de ter chamado a atenção para o Espírito Santo, aquele que era o “Deus desconhecido” da Igreja pré-Vaticano II. Muito bem, mas e se eu lhe disser, caro leitor, que o Espírito Santo não chama a atenção para si, mas para o mistério de Cristo? Vamos comprovar? João 16,13-14 – “Quando vier o Paráclito, o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade, porque não falará por si mesmo, mas dirá o que ouvir, e anunciar-vos-á as coisas que virão. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu, e vo-lo anunciará.”
O Espírito Santo planta na alma os seus sete dons e a as virtudes infusas a fim de glorificar a Cristo. O carismático não entende essas coisas e, pior ainda, toma a sua “experiência mística” como certeza da graça recebida. Em outras palavras, ele eleva uma provável possessão demoníaca ou, na melhor das hipóteses, uma mera intensificação de suas emoções, ao grau de Sacramento. Pois bem, o Catecismo em seu número 268 ensina que somente os Sacramentos são sinais sensíveis que garantem o recebimento da graça. Ora, o que um carismático poderá negar na teoria, ele não será capaz de fazer na prática. O sucesso deste movimento consiste basicamente no fato de que as pessoas realmente identificam suas experiências ou emoções com a certeza da graça recebida.
Essa identificação é um equívoco! Vejamos o que os santos dizem: Assim diz São Vicente Ferrer: “Os êxtases, as visões e as revelações não são de jeito nenhum um argumento inconteste da permanência ou assistência de Deus em uma alma. Quantos se viram que foram enganados com esses tipos de visões? Embora tenham sido a causa de conversão ou mesmo de salvação de algumas almas, é um estratagema do espírito maligno que fica contente em perder um pouco para ganhar muito.” Já, São João da Cruz diz o mesmo: “Assim, o demônio fica muito contente de que uma alma deseja revelações ou que a veja inclinada a isso. Porque tem então uma ocasião fácil de lhe sugerir seus erros e de a desviar da Fé tanto quanto puder. Pois [como dissemos] a alma que deseja essas revelações se coloca em uma disposição muito contrária à Fé e atrai para si muitas tentações e muitos perigos.” (continua na parte 4)
Artigo relacionado:
Fonte: Jefferson Roger e adaptação do site controversiacatolica