Padre Pio era o modelo de cada padre… Não se podia assistir “à sua Missa”, sem que nos tornássemos, quase sem perceber, “participantes” desse drama que se vivia a cada manhã sobre o altar. Crucificado com o Crucificado, o Padre revivia a paixão de Jesus com grande dor, testemunhada por todos.

Ele nos ensina que nossa Salvação só se poderá obter se, em primeiro lugar, a cruz for plantada na nossa vida. Dizia:

“Creio que a Santíssima Eucaristia é o grande meio para aspirar à Santa Perfeição, mas é preciso recebê-La com o desejo e o engajamento de arrancar, do próprio coração, tudo o que desagrada Àquele que queremos ter em nós.” (27 de julho de 1917)

Herdeiro espiritual de São Francisco de Assis, o Padre Pio de Pietrelcina foi o primeiro sacerdote a ter impresso sobre o seu corpo os estigmas da crucifixão. Ele é conhecido em todo mundo como o “Frei estigmatizado”.

O Padre Pio, a quem Deus deu dons particulares e carismas, se empenhou com todas as suas forças pela salvação das almas. Os muitos testemunhos sobre a grande santidade do Frei chegam até os nossos dias, acompanhados de sentimentos de gratidão. Suas intercessões e providências junto a Deus foram para muitos homens causa de cura do corpo e motivo de renovação do espírito.


Biografia

O Padre Pio de Pietrelcina, que se chamava Francesco Forgione, nasceu em Pietrelcina, um pequeno povoado da Província de Benevento, em 25 de maio de 1887. Pertencia a uma família humilde, filho de Grazio Forgione e Maria Giuseppa Di Nunzio, que tinham outros filhos. Desde muito menino, Francesco experimentou em si o desejo de consagrar-se totalmente a Deus, e este desejo o distinguia dos demais garotos de sua época. Tal “diferença” foi observada por seus parentes e amigos.

Narra a mamãe Peppa:

“Não cometeu nunca nenhuma falta, não tinha caprichos, sempre obedeceu a mim e a seu pai; a cada manhã e a cada tarde ia à igreja visitar a Jesus e a Virgem. Durante o dia não saía nunca com os seus companheiros. Às vezes eu dizia: ‘Franci, vá um pouco brincar’. Ele se negava dizendo: ‘Não quero ir porque eles blasphemam’.”

Do diário do Padre Agostinho de San Marco em Lamis, um dos diretores espirituais do Padre Pio, soube-se que, desde 1892, quando tinha apenas cinco anos, Francesco já vivia suas primeiras experiências místicas espirituais. Os êxtases e as aparições eram frequentes, mas para o menino pareciam ser absolutamente normais.

Com o passar do tempo, realizou-se para Francesco o que foi o seu maior sonho: consagrar totalmente a sua vida a Deus.

Em 6 de janeiro de 1903, aos dezesseis anos, entrou como clérigo na Ordem dos Capuchinhos. Foi ordenado sacerdote na Catedral de Benevento em 10 de agosto de 1910. Teve assim início sua vida sacerdotal que, por causa de suas condições precárias de saúde, passou-se primeiro em muitos conventos da província de Benevento. A partir de 4 de setembro de 1916, chegou ao convento de San Giovanni Rotondo, sobre o Gargano, onde ficou até 23 de setembro de 1968, dia de seu pranteado falecimento.

Nesse longo tempo, o Padre Pio iniciava seus dias despertando-se à noite, muito antes da aurora, dedicando-se à oração com grande fervor e aproveitando a solidão e o silêncio. Visitava diariamente por longas horas a Jesus Sacramentado, preparando-se para a Santa Missa, de onde sempre tirou as forças necessárias para seu grande trabalho com as almas, levando-as até Deus no Sacramento da Confissão. Atendia confissões por longas horas, até 14 horas diárias, e assim salvou muitas almas.


Os Estigmas

Um dos acontecimentos que marcou intensamente a vida do Padre Pio verificou-se na manhã de 20 de setembro de 1918, quando, rezando diante do Crucifixo do coro da velha e pequena igreja, recebeu o maravilhoso presente dos estigmas. As feridas foram visíveis e ficaram abertas, frescas e sangrentas por meio século. Este fenômeno extraordinário atraiu sobre o Padre Pio a atenção de médicos, estudiosos, jornalistas e fiéis de todas as partes, que durante décadas foram a San Giovanni Rotondo para encontrar o santo frade.

Numa carta ao Padre Benedetto, datada de 22 de outubro de 1918, o Padre Pio narra a sua “crucifixão”:

“O que posso dizer aos que me perguntam como é que aconteceu a minha crucifixão? Meu Deus! Que confusão e que humilhação eu tenho o dever de manifestar o que Tu tendes feito nessa mesquinha criatura!

Foi na manhã do dia 20 do mês passado (setembro) no coro, depois da celebração da Santa Missa, quando fui surpreendido pelo descanso do espírito; pareceu um doce sonho. Todos os sentidos interiores e exteriores, além das mesmas faculdades da alma, se encontraram numa quietude indescritível. Em tudo isso houve um silêncio em torno de mim e dentro de mim; senti em seguida uma grande paz e um abandono na completa privação de tudo…

Tudo aconteceu num instante. E enquanto isso se passava, eu vi na minha frente um misterioso personagem parecido com aquele que tinha visto na tarde de 5 de agosto. Este era diferente do primeiro, porque tinha as mãos, os pés e o peito emanando sangue. A visão me aterrorizava; o que senti naquele instante em mim não sabia dizê-lo. Senti-me desfalecer e morreria se Deus não tivesse intervindo para sustentar o meu coração, o qual sentia saltar-me do peito.

A visão do personagem desapareceu e dei-me conta de que minhas mãos, pés e peito foram feridos e jorravam sangue. Imaginais o suplício que experimentei então e que estou experimentando continuamente todos os dias. A ferida do coração sangra continuamente, começa na quinta-feira pela tarde até sábado. Meu pai, eu morro de dor pelo suplício e confusão que experimento no mais íntimo da alma. Temo morrer em sangue, se Deus não ouvir os gemidos do meu pobre coração e ter piedade de retirar de mim esta situação…”


Legado e Obras

Durante anos, de todas as partes do mundo, os fiéis recorreram a este sacerdote estigmatizado para conseguir sua potente intercessão junto a Deus. Cinquenta anos passados na oração, na humildade, no sofrimento e no sacrifício geraram duas grandes iniciativas:

  1. Vertical (a Deus): A fundação dos “Grupos de Oração”.
  2. Horizontal (aos irmãos): A construção de um moderno hospital, a “Casa Alívio do Sofrimento”.

Em setembro de 1968, milhares de devotos e filhos espirituais reuniram-se em San Giovanni Rotondo para comemorar o 50º aniversário dos estigmas e celebrar o quarto congresso internacional dos Grupos de Oração. Às 2h30 da madrugada do dia 23 de setembro de 1968, ocorreu o final da vida terrena do Padre Pio de Pietrelcina, escolhido por Deus para derramar a Sua Divina Misericórdia de maneira especial.


Palavras do Padre Pio

“Jesus me consolou. Em 18 de abril de 1912, depois de uma luta terrível contra o inferno, a consolação do Senhor me veio depois da Missa: ‘Ao final da missa, conversei com Jesus para a ação de graças. Oh, quanto foi suave o colóquio mantido com o paraíso nessa manhã!… O coração de Jesus e o meu se fundiram. Não eram mais dois que batiam, mas um só. Meu coração tinha desaparecido como uma gota de água se dissolve no mar… Quando o paraíso invade um coração, esse coração aflito, exilado, fraco e mortal não pode suportá-lo sem chorar…’.”
(Ao Pe. Agostinho, 18/04/1912)

Confidências aos seus filhos espirituais:

  • “Minha missa é uma mistura sagrada com a Paixão de Jesus. Minha responsabilidade é única no mundo”, disse ele chorando.
  • “Na Paixão de Jesus, encontrarão também a minha.”
  • “Não desejo o sofrimento por ele mesmo, não; mas pelos frutos que me dá. Ele dá glória a Deus e salva meus irmãos, que mais posso desejar?”
  • “Como nós devemos ouvir a Santa Missa?”
    “Como a assistiam a Santa Virgem Maria e as Santas mulheres. Como São João assistiu ao Sacrifício Eucarístico e ao Sacrifício sangrento da cruz.”
  • “Diga-me alguma coisa, Padre Pio” — perguntava-lhe um fiel ao vê-lo passar em meio à multidão.
    “Salve a tua alma.”

Oração de São Padre Pio (Após a Comunhão)

Permanecei, Senhor, comigo, porque é necessária a Vossa presença para não Vos esquecer. Sabeis quão facilmente Vos abandono.
Permanecei, Senhor, comigo, pois sou fraco e preciso da Vossa força para não cair tantas vezes.
Permanecei, Senhor, comigo, porque Vós sois a minha luz e sem Vós estou nas trevas.
Permanecei, Senhor, comigo, pois Vós sois a minha vida e sem Vós esmoreço no fervor.
Permanecei, Senhor, comigo, para me dares a conhecer a Vossa vontade.
Permanecei, Senhor, comigo, para que ouça a Vossa voz e Vos siga.
Permanecei, Senhor, comigo, pois desejo amar-Vos muito e estar sempre em Vossa companhia.
Permanecei, Senhor, comigo, se quereis que Vos seja fiel.
Permanecei, Senhor, comigo, porque, por mais pobre que seja minha alma, deseja ser para Vós um lugar de consolação e um ninho de amor.

Permanecei, Jesus, comigo, pois é tarde e o dia declina… Isto é, a vida passa, a morte, o juízo, a eternidade se aproximam e é preciso refazer minhas forças para não me demorar no caminho, e para isso tenho necessidade de Vós.
Já é tarde e a morte se aproxima. Temo as trevas, as tentações, a aridez, a cruz, os sofrimentos, e quanta necessidade tenho de Vós, meu Jesus, nesta noite de exílio.

Permanecei, Jesus, comigo, porque nesta noite da vida, de perigos, preciso de Vós. Fazei que, como Vossos discípulos, Vos reconheça na fração do pão, isto é, que a comunhão eucarística seja a luz que dissipe as trevas, a força que me sustente e a única alegria do meu coração.

Permanecei, Senhor, comigo, porque na hora da morte quero ficar unido a Vós, senão pela comunhão, ao menos pela graça e pelo amor.
Permanecei, Jesus, comigo, não Vos peço consolações divinas porque não as mereço, mas o dom de Vossa presença, ah! Sim, vo-lo peço.

Permanecei, Senhor, comigo, é só a Vós que procuro, Vosso amor, Vossa graça, Vossa vontade, Vosso coração, Vosso Espírito, porque Vos amo e não peço outra recompensa senão amar-Vos mais. Com um amor firme, prático, amar-Vos de todo o meu coração na terra para continuar a Vos amar perfeitamente por toda a eternidade. Amém.