
Houve tempo entre a ponte e o rio

Começo este artigo com uma frase dita por São João Maria Vianney. Era uma ocasião onde uma de suas paroquianas aos prantos foi confessar-se e não se continha em lágrimas perante o bom santo. Percebendo que não se tratava de pouca coisa, São João Vianney foi logo perguntando: O que foi que aconteceu, minha senhora? Ela contou que tinha ficado viúva pois o marido tinha cometido suicídio atirando-se de uma ponte para morrer afogado no rio. Chorava então a pobre viúva porque sabia, contava ela ao padre, que o marido não levava uma vida que lhe conduzia rumo a Deus. Então o santo deu uma resposta avassaladora e, sem dúvida alguma, inspirada pelo Espírito Santo. Disse São João Maria Vianney: “Não se preocupe, minha senhora, houve tempo entre a ponte e o rio. E que bela lição é para nós este pequeno trecho narrado na biografia do santo. Que maravilhoso é para todos saber que só acaba quando termina. Com essa frase fica claro a mensagem que naquele tempo da queda houve o tempo para o arrependimento do coração, livrando a pessoa da condenação para que ela pudesse expiar suas faltas e se purificar antes de sua entrada no céu. Houve tempo, disse o santo. O filme deve ter passado na cabeça deste senhor, como bem dizemos. E tocado por Jesus, com uma graça extraordinária, encontrou o arrependimento, pois Jesus tem mais interesse em que nos salvemos até mesmo, muito mais do que a nós, que insistimos em trata-lo como inimigo quando nos envia provações para nos purificar e crescer no amor e na fé. Sabemos da boca dele que o pai, que nos confiou ao Cristo, não quer que nenhum se perca. Caros leitores, belo ensinamento não é mesmo! E sei que muitos de vocês que estão a ler já presenciaram algo desta natureza, uma ou tantas vezes. Comigo não foi diferente. Neste ano, entreguei mais uma turma de catequese da última etapa. Uma turma com quase trinta jovens. Foi uma turma difícil. Posso dizer que apenas dez destes jovens realmente se empenharam durante o tempo desta caminhada, pois entendiam que o bem que a igreja lhes oferecia, na pastoral da catequese, era com a intenção de gerar frutos em suas vidas para a salvação de cada um e de todos através do serviço em comunidade. Porém, tantos outros, a turma do fundão, se fosse na escola, não queriam saber de nada. Os olhares para comigo eram olhares de indiferença, de insatisfação e por aí vai. Alguns me olhavam como se eu fosse o inimigo deles. Os pais destes, não vieram em nenhuma reunião e até no dia da celebração da crisma nem um cumprimento de boa noite pelo menos recebi destes e de seus filhos. Parecia que eu era um funcionário de guichê que atende uma multidão por dia e não faz mais que sua obrigação. Não que eu esperasse algo em troca, pois o serviço voluntário que faço como catequista, é pelo povo, mas, acima de tudo é pelo bem da igreja de Jesus Cristo. Se alguém um dia for me agradecer pelo que fiz na catequese, pelo meu esforço para manter ou resgatar os filhos de Deus e coloca-los ou recoloca-los no caminho das pedras, espero que seja Jesus, embora nem isso ele precise fazer, porque já ensinou que somos servos inúteis.
