Planejar e Executar
Grandes projetos de vida demandam, como se pode imaginar, praticamente a vida toda do momento em que se concebeu e idealizou a ideia. Projetar é reunir através de um planejamento e organização todas as ferramentas necessárias, atitudes, tempo e é claro, muita dedicação e empenho. No entanto, existe segundo o vislumbre que se pode fazer no horizonte, uma espécie de regra geral. Um modo de agir que permite bem executar esses projetos independente de suas dimensões. São as metodologias e regras. Trata-se do como fazer as coisas e de que modo as fazer corretamente. A teoria e a prática. E como a natureza humana imita a natureza divina, a salvação de cada alma passa por isso também. A religião católica a chama de economia da salvação.
Quem vos escreve, em tempos passados era uma pessoa que definiam como calmo, objetivo e metódico. Eram os tempos escolares e o perfil que eu apresentava nos relacionamentos estudantis apontavam os colegas para essas linhas gerais. Mais adiante, quando a vida profissional começou a se misturar nisso tudo, também surgiu a expressão “organizado”. Unido a tudo isso se acrescenta o fato de que desde 1982 comecei a praticar o esporte das corridas de rua, maratonas e supermaratonas. Mais à frente entrou a “dedicação e o planejamento”. E assim tem sido na caminhada até aqui. Uma vida que é muito cronometrada, mas de forma natural, organizada e sem obsessões. Para as filhas e para a esposa este é um exemplo que tenho sempre procurado deixar. Idealiza, mentaliza, organiza, planeja e executa. Ter uma atitude assim, que é, se houver um estudo atento das escrituras sagradas, um modelo apresentado nos testamentos, é sem dúvida algo muito produtivo na vida material e espiritual do cristão. Agindo assim, não existe espaço para o “qualquer jeito”, para o “vamos ver no que dá” ou para o “faz como der” e outras similaridades que demonstram descaso para com aquilo que precisa de atenção.
Voltando ao assunto que mencionei linhas atrás, as corridas, a foto deste artigo ilustra minha chegada na supermaratona de Urubici-SC em junho de 2011. Prova de montanha de 52km. Não existe nesse tipo de prova a condição de se correr em velocidade e sim completar o percurso da melhor forma possível e sem, é claro machucar-se, uma vez que o trajeto não acontece por vias pavimentadas e sim em meio à natureza, matas, carreiros e trilhas. São provas duríssimas que exigem grande esforço físico e mental porque ela coloca o atleta numa condição de solidão e silêncio por muitas horas. Ouve-se apenas o som das passadas e a respiração. É uma prova silenciosa onde os competidores economizam energia não falando. Nessa chegada, após 6h36min fui acompanhado nos últimos 300 metros pela minha filha mais velha Yasmin, que na ocasião tinha 8 anos. Todo o cansaço, todo o planejamento, meses de preparação e dedicação todos os dias da semana, tudo foi substituído pela alegria de poder completar a prova, ser recebido pela família, que aguardava na chegada e escoltado pela Yasmin, que aguardou ansiosa a chegada do seu pai. Fica a satisfação, a boa lembrança e os votos de que essa participação, desde o primeiro dia de treino até a entrega da medalha, sirva de exemplo de que tudo na vida pode ser realizado, com preparo, planejamento, organização, dedicação e execução. Nesta vida que é para o corpo e para a alma.
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fonte: Jefferson Roger