
As dores extremas do purgatório
Ahh o purgatório, tema tão salutar para a salvação das almas. Para o cristão que conhece a doutrina católica e os ensinamentos da tradição, sabe muito bem que por lá, para os que precisarem ajustar o seu estado penitencial antes da admissão ao paraíso, o tempo de sua estada oferece uma sensação muito diferente daquilo que se espera ou se torce que aconteça. A purificação é tão intensa que nos rouba a percepção e só se diferencia, segundo os santos, do inferno, porque neste o padecimento é eterno e naquele, temporário.
Há uma expressão comum que a maioria já ouviu em um momento ou outro: “Meu, como o tempo voa quando você está se divertindo”. O inverso também é verdadeiro: o tempo se arrasta ao fazer algo que não se gosta. Quanto ao purgatório, as revelações privadas atestam que as dores da punição sobrenatural são muito mais severas, aumentando imensamente a percepção do tempo. Para ilustrar o que estamos a refletir, coloco um trecho retirado dos escritos de Santo Antonio. Nos conta do santo.
Um homem religioso que sofreu de uma doença incapacitante por um longo tempo. Desencorajado, ele rezou para que a morte pudesse liberá-lo de sua dor constante. Em resposta à oração, Deus instruiu o anjo da guarda do homem a trazer-lhe uma oferta. O homem poderia escolher sofrer no Purgatório por três dias ou viver sua dor por mais um ano, após o qual ele iria diretamente para o Céu. O homem escolheu o purgatório, após o que morreu. Uma hora depois da morte do homem, seu anjo da guarda o visitou no Purgatório. Imediatamente ao ver o anjo, o homem gemeu sobre o tempo que ele tinha passado lá. E, no entanto, ele reclamou, “você prometeu que eu deveria permanecer aqui, mas somente três dias”.
Quando o anjo informou ao homem que ele só estava no Purgatório há uma hora, ele lamentou sua escolha. “Ai!” Ele suspirou: “Eu fui muito cego e inconsiderado na escolha que fiz. Ore a Deus, meu bom anjo, para me perdoar, e permita-me voltar à terra. Estou pronto para me submeter às doenças mais cruéis, não só por um ano, mas enquanto isso Lhe agradar. Ao contrário, seis anos de sofrimento horrível do que uma única hora neste abismo de agonias indizíveis”. Como imagina o leitor, naturalmente, a situação deste homem terminou como o relato bíblico encontrado em Lucas 16,19-31, ou seja, não podia mais alterar o seu estado da vida para a morte e o purgatório. Vale lembrar que Deus disse em Isaías 45,23 que “minhas palavras não serão revogadas”.
Fonte: Jefferson Roger