
O milagre de Santarém
Cansada desse sofrimento, a mulher decidiu recorrer a uma bruxa judia e pedir-lhe um feitiço para que essa situação enfim acabasse. Ao consulta-la, a bruxa lhe disse que para um feitiço como este necessitava de uma hóstia consagrada. O pedido causou-lhe desconforto, mas vendo a possibilidade de solucionar seu problema, aceitou e consentiu neste sacrilégio, que consistiria em desobedecer diretamente o primeiro, sétimo e oitavo mandamentos da lei de Deus, entre outros ensinamentos diretos de Jesus feitos nos evangelhos. Ela foi até a igreja de Santo Estêvão, confessou-se e pediu a comunhão. Assim que recebeu Jesus Eucarístico, cuidadosamente o retirou da boca enrolando-o em seu véu. Imediatamente saiu da igreja e se dirigiu para a casa da feiticeira. Então, sem que percebesse, do véu que carregava começou a escorrer sangue. Pelas ruas as pessoas começaram a notar e perguntavam para a mulher que ferimento tinha, já que tanto sangue jorrava dali.
Surpreendida pelo fato e um tanto confusa, decidiu mudar o trajeto e foi para sua casa, onde guardou em segredo a hóstia em seu armário numa pequena caixa, uma espécie de arca. Ao fim do dia o marido chegou do trabalho e o ocorrido a ele não foi revelado. Mais tarde, já estando as horas da noite bem adiantadas, acordam os dois e veem a casa toda resplandecente. Da pequena caixa saíam misteriosos raios de luz. A mulher não teve saída e contou tudo ao marido, os dois puseram-se então de joelhos e passaram o resto da noite em adoração. Logo ao amanhecer o pároco foi avisado e a notícia espalhou-se por quase toda a vila e todos acorreram ao local para contemplar o milagre. Então a hóstia sagrada foi conduzida em procissão novamente até a igreja de Santo Estêvão onde foi depositada numa custódia de cera. Passado algum tempo, por ocasião de uma adoração ao Santíssimo Sacramento, ao abrirem o sacrário eis que encontraram a custódia de cera despedaçada e para admiração de todos, a sagrada hóstia estava dentro de uma âmbula de cristal, miraculosamente aparecida ali. Esta âmbula foi então colocada numa custódia de prata dourada e ali permanece até os tempos atuais na mesma igreja de Santo Estêvão que passou a ser conhecida em Santarém, Portugal, como a igreja do Santíssimo Milagre. fonte: Diocese de Portugal