
Cuidado com a vaidade
Como diz Jesus, bem-aventurados os pobres de espírito pois deles é o reino dos céus. É preciso ficar bem claro desde o início que a pobreza aqui tem sua relação direta com o desapego as coisas que passam, as coisas terrenas, finitas e cuja a ferrugem e a traça corroem. Mas Jesus pede de nós, no mínimo, o máximo.
“Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade.
Vi tudo o que se faz debaixo do sol, e eis: tudo vaidade, e vento que passa. Eu disse comigo mesmo: Vamos, tentemos a alegria e gozemos o prazer. Mas isso é também vaidade. Mas, quando me pus a considerar todas as obras de minhas mãos e o trabalho ao qual me tinha dado para fazê-las, eis: tudo é vaidade e vento que passa; não há nada de proveitoso debaixo do sol. E disse comigo mesmo: A minha sorte será a mesma que a do insensato. Então para que me serve toda a minha sabedoria? Por isso disse eu comigo mesmo, que tudo isso é ainda vaidade.
E eu detestei a vida, porque, a meus olhos, tudo é mau no que se passa debaixo do sol, tudo é vaidade e vento que passa. E quem sabe se ele (que virá depois de mim) será sábio ou insensato?
Que um homem trabalhe com sabedoria, ciência e bom êxito para deixar o fruto de seu labor a outro que em nada colaborou, note-se bem, é uma vaidade e uma grande desgraça. Àquele que lhe é agradável Deus dá sabedoria, ciência e alegria; mas ao pecador ele dá a tarefa de recolher e acumular bens, que depois passará a quem lhe agradar. Isto é ainda vaidade e vento que passa.
Porque o destino dos filhos dos homens e o destino dos brutos é o mesmo: um mesmo fim os espera. A morte de um é a morte do outro. A ambos foi dado o mesmo sopro, e a vantagem do homem sobre o bruto é nula, porque tudo é vaidade. Vi que todo o trabalho, toda a habilidade numa obra, não passa de emulação de um homem diante do seu próximo. Isto é também vaidade e vento que passa. Para quem trabalho eu, privando-me de todo bem-estar? Eis uma vaidade e um trabalho ingrato.
Aquele que ama o dinheiro nunca se fartará, e aquele que ama a riqueza não tira dela proveito. Também isso é vaidade. Muitas palavras, muita vaidade.
Pois bem caros leitores, como vimos neste livro já se encontrava prefigurado o ensinamento que Jesus depois iria confirmar a respeito do desapego do mundo, o apego a cruz para uma caminhada rumo ao céu em direção da glória eterna. Nossa Senhora em sua aparição a Santa Catarina Labouré também confirmou essa verdade ao dizer para a santa que não prometia para essa vida a felicidade e sim para a próxima.
Como estamos a perceber é muito antigo esse proceder tão agradável a Deus que é o da santa pobreza. Sim, uma pobreza de espírito voluntária por amor a Deus que por consequência embute em nossos corações o desapego as coisas que passam e também as pessoas. E não nos escandalizemos porque o primeiro mandamento é amar a Deus sobre todas as coisas, com todo o nosso coração, alma e entendimento. Até as pessoas que amamos, as amamos por amor a Deus, desejando para elas o que
E junto a este mandamento vem o segundo que é não tomar seu santo nome em vão. Outro mandamento tão comumente usado como desculpa e dou aqui um exemplo. Certas pessoas disfarçam seus sentimentos de vaidade alegando que estão a praticá-los para Jesus. Eu me arrumo assim para ficar bonita(o) para Jesus, eu arrumo o cabelo para ficar bonita(o) para Jesus, eu uso perfume para ficar bem cheirosa(o) para Jesus, eu uso essa maquiagem e me embelezo assim para Jesus, por amor a Ele. Quanta besteira, sacrilégio e hipocrisia.
Encerro colocando outra afirmação de Nossa Senhora que diz que “devemos nos vestir com decência, pudor e modéstia, bem vestidos mas com simplicidade”. Nada de roupas curtas demais, decotadas demais, transparentes demais ou justas demais. Caso alguém tenha se esquecido o que é isso, a decência e o pudor, basta olharmos para os santos, santas e os anjos de Deus. Nosso corpo é sagrado e precisa ser preservado do olhar concupiscente que desperta o interesse, a tentação e é fruto da desobediência no jardim do Éden.